Ritual dos Graus Superiores
Você proclamará:
Graças Te rendo, Deus Todo-Poderoso, pois por Tua infinita bondade e misericórdia, permitiste que eu vencesse as dificuldades interpostas em meu caminho. Aqui estou, em Teu nome, para prosseguir em meu ofício.
Faze, Senhor, com que meu coração e minha inteligência sejam sempre iluminados pela Luz que emana do Alto. Que, fortificado por Teu amor, eu compreenda que, para o êxito de meu ofício, é imperativo que minhas deliberações subjuguem paixões e intransigências.
Submeto-me à fiel obediência dos sublimes princípios desta fraternidade, a fim de que minha Obra Pessoal seja o reflexo da Ordem e da Beleza que resplandecem em Teu Trono.
Pela Honra e pela Virtude, o trabalho se inicia.
Assim Seja!
Eu, (diga o seu nome completo) Cavaleiro Artífice, na presença de Deus, tendo a Bíblia Sagrada como minha testemunha, confirmo o meu mais puro propósito neste voto sagrado.
Hoje me coloco diante de Deus como um Cavaleiro Artífice que conheceu a sombra do descarte. Reconheço que, em minha jornada, muitas vezes fui a Pedra Rejeitada. Fui aquela forma que os construtores do mundo, cegos pelas métricas mundanas, não souberam classificar. Fui deixado à margem do canteiro de obras, coberto pelo pó da indiferença, pois minha marca era estranha aos seus olhos e minha geometria não se encaixava nos seus esquadros limitados.
Eu sou aquele que sentiu o peso da rejeição. Eu sou a pedra que não servia às paredes retas, nem aos fundamentos planos. Mas, no silêncio do meu exílio, compreendi que minha "estranheza" não era um erro de cálculo, mas o segredo da minha função. Eu não fui feito para ser apenas mais um bloco na muralha; eu fui gerado para ser o fecho e o equilíbrio que sustenta a tensão.
Neste momento, eu gravo no âmago do meu ser o selo da minha individualidade. Não busco mais a aprovação dos supervisores profanos que não conhecem a profundidade da minha espiritualidade. Eu submeto meu trabalho ao Supervisor Supremo que habita o meu coração.
Ao aceitar quem eu sou, eu transmuto a rejeição em eleição. Eu não mais peço licença para ocupar o meu espaço; eu me instalo na Obra com a autoridade de quem descobriu que sem a minha forma singular, o arco do Templo jamais estaria completo.
Eu elevo minha consciência aos Agentes da Divindade que vigiam a evolução humana. Eu lhes apresento o meu trabalho. Vejam: esta pedra que outrora foi lançada ao entulho das ruínas, agora brilha com a luz do entendimento. Ela foi lavada pelas águas da Amizade, polida pela abrasão da Verdade e iluminada pelo fogo do Amor.
Eu proclamo a superação de todos os obstáculos. Cada tropeço foi um golpe de cinzel necessário; cada queda foi o teste de resistência da minha estrutura. Eu não sou mais o refugo do canteiro, mas a joia do Supremo Arquiteto. Os Verdadeiros Mestres reconhecem o valor do meu esforço, pois veem que meu trabalho está alinhado com as Leis Perfeitas do Criador. A harmonia, que fora quebrada pela minha ausência, começa agora a se restaurar.
Eu me movo agora para o topo do arco. Eu me coloco no ponto de pressão onde o passado e o futuro se fundem. Eu sou a Pedra Angular. Eu sou o elo de ligação. Pelo meu posicionamento correto, o Templo ganha estabilidade. Pelo meu sacrifício em sustentar o peso da abóbada, a luz do conhecimento pode habitar o solo.
Eu sou o centro do equilíbrio. Eu sustento a tensão sem me quebrar. Eu transformo a força de compressão em força de união. Através de mim, a Obra Pessoal se torna perfeita. Eu aceito o meu dever de ser o fecho da abóbada, o protetor da entrada, o guardião da harmonia restaurada.
Agradeço a Deus por ter me permitido ser rejeitado, pois na solidão da rejeição encontrei a força da minha espiritualidade.
Que a paz que sinto neste momento se espalhe por todos os meus dias. Eu sou a pedra que se tornou angular. Eu sou o triunfo do espírito sobre a matéria bruta. O Templo está completo em mim, e eu estou completo no Templo.
Você colocará a mão direita sobre o coração.
Comprometo-me, por minha honra e por minha fé, a prestar auxílio caridoso à nobre e respeitável causa da Sublime Classe da Ordem Opus Ipsum do Brasil, pautando minha ação pelos sãos princípios desta instituição legal e legítima, devidamente reconhecida pelos órgãos oficiais que representam a República Federativa do Brasil e chancelada pelo compromisso de apoio que mantém junto ao UNICEF.
Você colocará a mão direita sobre a Bíblia Sagrada.
Nosso Pai do céu.
Revela-nos quem tu és.
Dá um jeito neste mundo.
Faz o que é melhor, tanto aí em cima, quanto aqui embaixo.
Conserva-nos vivos com três boas refeições.
Preserva-nos perdoados por ti e perdoando os outros.
Guarda-nos de nós mesmos e do Diabo.
Tu estás no comando!
Tu podes fazer tudo o que quiseres!
Tua beleza é fascinante!
Assim seja!
Deixarei agora este espaço de introspecção, dedicado à honra e à virtude, para retornar ao mundo; mas, em meus afazeres, não me esquecerei dos deveres recomendados por esta Ordem.
Serei diligente, moderado, discreto e prudente. Lembrar-me-ei sempre de que me comprometi, solenemente, a ajudar e amparar com cordialidade, e à medida de minhas possibilidades, os mais necessitados.
Ainda que o mundo profano julgue que realizei este Ritual inutilmente, gastando em vão as minhas forças, manterei minha tranquilidade de espírito. Que o Deus Todo-Poderoso continue me abençoando e abençoando esta causa do bem, hoje e sempre.
Assim Seja!
Está encerrado o Ritual.
